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Mia Wasikowska: "É a jornada de toda jovem"

Entrevista feita pela revista Época.

A atriz australiana diz que Alice representa a descoberta da identidade e de como controlar a própria vida



ÉPOCA – Tim Burton disse que a escolheu para viver Alice por você ter uma “vida interior”. Como você explicaria isso?
Mia Wasikowska – Alice tem uma alma antiga e pensadora. Na nossa história, há muita coisa acontecendo dentro dela que não é necessariamente expressa por palavras. Ela tem 19 anos e está naquela época da vida em que é pressionada pela família e pela sociedade para ser o que eles querem que ela seja. Essa é uma angústia para muitas mulheres jovens. Sua jornada é uma descoberta de quem ela é, de que ela pode controlar sua vida e seu futuro.


ÉPOCA – Aconteceu algo parecido com você?
Mia – Sim, acho que acontece com muitas jovens. Nós nos pegamos agradando a outras pessoas. É importante lembrar que você não será feliz se não fizer o que é certo para si mesma. São tantas expectativas que às vezes nos esquecemos do que queremos para nós mesmas.


ÉPOCA – Ao fazer Alice, você se transformou como ela?
Mia – A indústria cinematográfica é muito diferente da vida que eu tinha. Ser colocada em um grande filme, com tantos personagens malucos, foi ao mesmo tempo bizarro, divertido e assustador. É uma experiência nova, do mesmo tipo que Alice passa no País das Maravilhas.


ÉPOCA – Foi difícil o processo de construção da personagem?
Mia – Todos têm uma ideia de como Alice é e como ela deveria ser retratada. A parte mais assustadora foi perceber que não se tem controle sobre a expectativa alheia. Alguns vão gostar e outros vão odiar. Eu tive de abraçar a Alice que eu estava interpretando. Foi bom ter Tim a meu lado, pois nós dois a queríamos da mesma maneira.


ÉPOCA – Você se sentiu bem ao lado de uma equipe tão estrelada?
Mia – Eu cresci vendo Johnny, Helena e Anne em filmes, então foi surreal. O mais bacana é saber quem eles são na vida real: pessoas boas, inteligentes, trabalhadoras e de sucesso. Se eu conseguir seguir o exemplo deles, terei o mesmo sucesso. E Tim é maravilhoso, é fácil entender o que ele quer. A partir do momento em que fui escalada, senti a confiança dele por mim. Ele não passava ansiedade sobre minha interpretação. Isso foi muito bom.


ÉPOCA – Por que você desistiu da carreira de bailarina para ser atriz?
Mia – A certa altura, me desencantei com a imagem da perfeição da dança. Ali, o mais importante era minha imagem. A atuação me dá a possibilidade de me conectar com emoções sem precisar pensar em como eu pareço. Gosto de fazer filmes porque as coisas podem ser ásperas e feias. Acho que os filmes que tocam mais emocionalmente as pessoas são aqueles mais reais, que tratam da imperfeição. Assim é a vida.

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